A GRAÇA DA VIDA NA COZINHA


Pepitas Umê são sementes de abóbora cruas germinadas e temperadas com umeboshi, combinação das mais auspiciosas para a boa saúde, em todos os sentidos.
A cada ida a SP procuro me abastecer de "smart snacks" e outras "iguarias" para enriquecer minha modesta comidinha vegetariana.
Ser modesta pode ser uma qualidade, mas ser monótona é o fim...
`As vezes passo períodos com a despensa sempre igual e, claro, começo enjoar da comida que preparo. Fico num beco sem saída, como naqueles sonhos que você imagina onde está mas não sabe muito bem para onde ir. Não tem por onde: quem vive quase que exclusivamente de vegetais precisa ter discernimento e um pouco de imaginação para dar vida nova aos pratos do dia a dia.
Manter um pequeno estoque de "iguarias" é a saída luminosa que eu vejo quando desperto desse tipo de sonho; e isso dá para fazer em praticamente qualquer lugar conhecendo melhor seus recursos naturais.
Por exemplo, amendoas, nozes, castanhas, queijos de cabra, massalas feitas com especiarias a gente tem facilidade de achar onde quer que more, ervas frescas do lugar, todos conhecem.
As as manteigas veganas, alho negro, pepitas umê, nibs de cacau, açucar de côco, são mais raros, mas ainda assim a maioria dá para comprar `a distância e aos poucos aparecem aqui, ali acolá neste mundo globalizado que vivemos.
As especiarias e os temperos são as iguarias de quem ama cozinhar, eles trazem novos ares e ajudam a gente manter o trivial variado de fato. Conhecendo melhor as propriedades, sabendo dosar e usar, sempre tem novidade e ganhos na saúde como um todo.
Cada variação que descubro é como se eu tambem me renovasse!


Me recordo das mesas da minha infancia, meu pai comia com tanto gosto que dava gôsto de ver. Minha mãe era uma cozinheira de primeira, e fazia muita coisa à perfeição, principalmente tentar me fazer comer carne em forma de bolinhos variados, soltando a imaginação, dela e a minha com formatos e ingredientes de base muito interessantes.
Eu era como um cão farejador, até hoje onde percebo o cheiro da carne me mantenho afastada, mas os bolinhos eram bem vindos. Hoje penso que eram os temperos e o visual caprichado que me faziam esquecer momentaneamente que ali tinha o que tinha. Graças ao zêlo de meus pais minha saúde não se deteriorou na infância, pois eu e a comida não sabíamos ainda que tinhamos sido feitos um para o outro. Eu simplesmente não gostava de comer, pelo menos aquilo que as pessoas `a minha volta comiam com tanta satisfação.
Meu paladar peculiar e exótico para os padrões familiares pouco aproveitou daquele arsenal, mas foi pelo exemplo que consegui criar o meu mais tarde; hoje posso dizer que cozinho bem (aquilo que gosto de comer) e aprendi às custas de ajuda, pesquisa e experimentos. Tal como minha mãe criou o universo culinário dela com receitas de família e suas pesquisas criteriosas da época, eu caminho em busca do meu.
Gerações que se eternizam através do amor e do alimento.



Outro dia fiz um molho de tomates bem simples, mas muito substancioso, levemente adocicado com açucar de coco (só para melhorar a acidez ) e temperadissimo com purê de alho, canela, cúrcuma, orégano e cominho (depois que vi o programa no GNT sobre especiarias, fiquei ainda mais fascinada com o cominho, o programa se chama "Temperos pelo mundo", e cada episódio trata de uma especiaria diferente, é incrivel! procure no seu canal à cabo)
O molho ficou algo de outro planeta.
No prato pronto; ele e a massa de arroz.
Já seria uma festa mas para completar salpiquei as pepitas umê e pedacinhos de queijo de ovelha tipo meia cura.
Poderia comer isso dias e dias seguidos, mas para não cair na rotina, me salvam as "iguarias".
Amendoas defumadas e legumes variados refogados no óleo de coco com massala, com um molho de tahine bem suave na mesma massa do dia anterior.
Tem coisa melhor?
Diz que o melhor ainda está por vir, eu aposto que sim.

Namastê!

imagens de acervo,
menos Matisse e Chagall
( quem me dera...rs)


Comentários

Misterioso disse…
Adorei parabens...