KICHADI



KITCHADI
Segui a receita da Marise (Berg) com pequenas variações.
Desta vez eu experimentei com o feijão moyashi, também conhecido como mung dahl, ou feijão verde, aquele bem pequenino, bastante digestivo e muito proteico.
O sabor remete aos brotos de feijão e também `a lembrança das primeiras refeições "naturebas" junto dos bons amigos nos anos 70.
Na receita original pede-se o uso da semente de mostarda preta, como eu ainda não tenho aqui, usei o que estava na minha prateleira e ficou muito bom.
Já fiz uma postagem com receitas de kitchari, kichadi, a grafia aparece de várias maneiras, mas o sentido desse prato é o mesmo em vários lugares do mundo, inclusive aqui, como bem lembrou a Carol (Daemon), comentando sobre o baião de dois.
Refeição completa de prato único.
Minestra, como chamava meu tio Euzébio, era a mistura que ele fazia para a gente comer de vez em quando no jantar, que comida saborosa, inesquecível.
Quando eu ia dormir na casa dos meus primos ele preparava nossa janta, arroz, tomate, ervilha, ovo cozido, azeite, queijo ralado, e algumas outras coisas a mais que ele colocava na frigideira. E pronto, a festa estava feita.




Kichadi, Risoto, Mjadra, Baião de Dois, Congris...
Nesta mesma conversa com a Carol, comentei sobre uma temporada que passei em Cuba.
O que me salvou foi o prato típico de lá, o congris, ou moros y cristianos, nome mais que poético para o famoso arroz com feijão e banana, que delicia!
Durante o tempo que fiquei em Havana, comi congris todos os dias em várias casas e em cada uma senti um gosto diferente, coisas de família, seus temperos e seus segredos.
Aos poucos vou encontrando o meu segredo, um modo próprio de temperar a comida.
Nesta fase de experimentos com ervas e especiarias, cada dia também a minestra sai com uma cara e uma sabor diferente, mas a energia é sempre a mesma.

RECEITA

Ingredierntes: arroz integral, mung dahl, cebola e abóbora japonesa
Deixei por 24 horas o arroz ( 2 mãos cheias ) e o mung dahl de molho ( 01 mão cheia ) com água e gotas de limão, em tigelas diferentes.
Dia seguinte, lavei bem antes de começar o preparo e desprezei as águas do molho. ( dica da Pat Feldman )
Cozinhei os dois separadamente, em panela comum:
o mung dahl temperei com louro em pó, cominho, coentro, assafétida e feno grego; todos eles apenas uma pitada de cada.
o arroz eu refoguei no ghee com cúrcuma e alho picado.
Depois de 20 minutos de cozimento, o mung dalh foi transferido para a panela do arroz, sem a água do cozimento.
Em seguida, coloquei cebola em gomos e abobora japonesa em cubinhos, acrescentei uma micro pitada de canela.
Cozinhou em fogo baixo, lentamente por aproximadamente 40 minutos, panela semi tampada.
No final coloquei sal de rocha moído.




ACOMPANHAMENTOS:
ESCAROLA REFOGADA COM UVAS PASSAS
refogadas no ghee com pouco sal
ASSADO DE LEGUMES: ALHO PORÓ, BERINGELA, ABOBRINHA, CENOURA
colocar tudo na assadeira regado com azeite e sal

CEREJA DO BOLO:
SEMENTES DE ABOBORA SEM CASCA
torradas para salpicar sobre o prato pronto
Li no site mdemulher, que "as sementes de abóbora fazem parte do grupo de alimentos que os especialistas chamam de - fonte de bem estar - nota minha, o site chama de prozac natural.
Isso porque elas são excelentes fontes do aminoácido chamado triptofano (como o grão de bico e o cacau - nota minha), que ajuda a melhorar o humor.
Além disso, uma porção desse alimento – ideal para o lanchinho da tarde – tem 150 mg de magnésio, nutriente que protege o sistema imunológico e fortalece os músculos."
O super site DOCE LIMÃO conta tudo sobre os benefícios da semente de abóbora....

CHOCOLATE STELLA, DE SOBREMESA
chocolate 100% VEGANO, feito de leite de arroz, maravihoso!!!!!

Enquanto cozinhava, prestei atenção nas sementes de abóbora - tão iguaizinhas e tão uniformes, tudo a ver com o teto do hotel em Havana, uma abóboda gigante que pareciam com bolinhas de gude e pronto, surgiu na memória uma música dos anos 70, tempos de faculdade, dos bons amigos, da comida natureba, dos brotos de feijão, moyashi.
O que faz um kichadi em nossa vida....
Namastê!




BOLINHA DE GUDE
Jorge Mautner
Eu não sei como pude esquecer teus olhinhos, bolinhas de gude
Eu não sei como pude te tratar e gritar de um modo tão rude
E que Deus me ajude, e que Deus me ajude e que Deus me ajude
E que Deus me ajude, e que Deus me ajude e que Deus me ajude
Os mistérios do amor eu não pude entender por mais que eu estude
O coração quando ama é capaz de qualquer atitude
E que Deus me ajude, e que Deus me ajude e que Deus me ajude
E que Deus me ajude, e que Deus me ajude e que Deus me ajude
O amor não muda jamais por mais que a gente se mude
Eu só sei que esse beijo me faz tão bem à saúde
E que Deus me ajude, e que Deus me ajude e que Deus me ajude
E que Deus me ajude, e que Deus me ajude e que Deus me ajude
O pierrot de olhos tristes vem tocando o seu alaúde
E me disse que assim a tristeza ele sempre ilude
E que Deus me ajude, e que Deus me ajude e que Deus me ajude
E que Deus me ajude, e que Deus me ajude e que Deus me ajude
Começa a chuva fininha que cai tão amiúde
Minhas lágrimas já encheram todo o açude
E que Deus me ajude, e que Deus me ajude e que Deus me ajude
E que Deus me ajude, e que Deus me ajude e que Deus me ajude

imagens de acervo pessoal
em havana teto de bolinhas do hotel riviera, incrivelmente lindo.
imagem bolinhas de gude, LINK
imagem semente de abobora, LINK
Jorge Mautner, LINK
Bolinhas de Gude esta no album de 1976, mil e uma noites de bagdá
Marise Berg / LINK

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Comentários

Syl, sua cozinha e impressões são tão zen, clean. Eu sou completamente anárquica com minhas panelonas até o teto e um bando de cachorros em volta, que inveja...
sylribeiro disse…
hahaha minha cozinha é "zen" pequena, isso sim, passando uma hora ali em atividade ela vai abaixo, depois eu arrumo de novo, tenho pouquissimas coisas, tipo 3 panelas, 1 wok, 1 frigideira, que ficam guardados, o resto fica aparente, e dá-lhe faxina para manter aquilo sem a poluição! mas no dia a dia ela é assim mesmo, muito arrumadinha! como é pequena tudo fica mais facil de arrumar, bj