
Esta materia, publicada hoje na Folha de São Paulo, complementa informações da postagem O SOL QUE CURA, já publicada aqui nesta pagina e neste
LINKNao da para resumir muito, a materia é longa e importante. Abaixo tem o link da FSP com acesso para ela na íntegra, mas aqui tem ao menos 90% do conteúdo, para quem não é assinante poder ler e compreender.
Assim como o sol, a agua que tomamos precisam fazer parte das práticas diárias, longe de sermos camelos, nao acumulamos seus beneficios. A persistencia nos mantem em dia com os milhoes de beneficios que temos ao incorporar duas atividades essenciais praticamente sem custo em nosso dia a dia. Como diz sabiamente Sonia Hirsch, a súde é subversiva, porque nao dá lucro a ninguem.
Nutriente multiúso Além do conhecido papel para a saúde dos ossos, a vitamina D é importante para prevenir diabetes, câncer, hipertensão e infecções; saiba como garantir o aporte correto
FERNANDA BASSETTE
JULLIANE SILVEIRA
DA REPORTAGEM LOCAL
Não passa uma semana sem que surja uma nova pesquisa associando a falta de vitamina D no organismo a alguma doença. Os problemas vão além da saúde óssea prejudicada -relação já estabelecida, pois o nutriente contribui para a fixação do cálcio nos ossos. Hoje, estudos mostram que a deficiência pode levar a hipertensão, diabetes, infecções e alguns tipos de câncer.
Há até pouco tempo, os especialistas acreditavam que a discussão sobre a falta da vitamina era desnecessária no Brasil, já que um país tropical recebe luz solar suficiente -a maior parte da vitamina D é sintetizada com a ajuda dos raios solares.
"Os números são assustadores. Mesmo trabalhos com mulheres no Recife encontraram grande deficiência, porque elas também se escondem do sol. É um problema das grandes cidades", afirma a endocrinologista Marise Castro, chefe do Setor de Doenças Osteometabólicas da universidade.
O deficit também existe entre adolescentes. A nutricionista Bárbara Peters, pesquisadora da Unifesp, detectou o problema em uma pesquisa feita com 136 jovens de Indaiatuba (interior de São Paulo) -62% deles apresentavam índice insuficiente de vitamina D.
"Não esperava esse resultado, pois são adolescentes saudáveis que vivem em uma cidade bastante ensolarada."
Trabalhos feitos em animais mostraram que a vitamina D tem um papel inibidor da renina, hormônio que contribui para elevar a pressão arterial.
Um trabalho finlandês divulgado na semana passada no "American Journal of Epidemiology" confirma o alerta. Por 27 anos, foram monitoradas 5.000 pessoas.
Houve relação entre baixos índices da vitamina e maior risco de derrame e de outras doenças cardiovasculares.
"Pessoas com níveis adequados de vitamina D têm menos risco de calcificação das artérias, pois a vitamina possui uma ação anti-inflamatória", afirma Marcelo de Medeiros Pinheiro, reumatologista da Unifesp.
O nutriente também estimula a produção de insulina, melhorando o controle da glicose, e diminui a resistência ao hormônio -o que ocorre em quem tem diabetes tipo 2. Sua falta pode favorecer o desenvolvimento da doença.
Tumores de cólon, de próstata e de mama também já foram associados à deficiência de vitamina D em pesquisas. A explicação pode estar no papel da vitamina no ciclo de proliferação celular -a substância ajuda a equilibrar a divisão das células.
Quem tem deficiência da vitamina é também mais vulnerável a infecções, pois o nutriente atua na produção de proteínas antibacterianas.
"Uma das mais estudadas é a tuberculose. Um estudo em laboratório mostrou o papel da vitamina D na doença", acrescenta Moysés.
Combate
A explicação para as baixas taxas da vitamina no sangue são a pouca exposição ao sol -já que as pessoas passam boa parte do tempo em escritórios- e o baixo consumo de alimentos com o nutriente em quantidade razoável.
Com relação ao sol, ainda existe uma grande polêmica: o uso de filtro solar. Para alguns especialistas, o protetor dificulta a absorção dos raios UVB, responsáveis por atuar na sintetização da vitamina.
Por isso, eles sugerem uma exposição de pernas e braços descobertos por cerca de 15 minutos diários sem filtro.
O consumo de alimentos que contêm o nutriente é indicado, mas não resolve o problema. Só de 10% a 20% do valor diário recomendado podem ser obtido por meio dos alimentos.
Segundo Marcelo Pinheiro, pesquisa feita com 2.400 pessoas constatou que o brasileiro consome cinco vezes menos vitamina D do que o recomendado internacionalmente -que é de dez a 15 microgramas.
Por esse motivos, especialistas acreditam que seja necessária uma política de fortificação de alimentos e de suplementos da vitamina. No Brasil, o nutriente só é encontrado em versão manipulada.
Roseli Sarni, presidente do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Pediatria, diz que crianças de até 18 meses devem receber suplementação, pois o que ingerem com o leite materno não é suficiente.
Sarni afirma que a suplementação de vitamina independe do fato de a criança tomar sol. Nessa faixa etária, a recomendação semanal é de meia hora se o bebê estiver só de fraldas ou de duas horas se estiver com rosto, mãos e pés expostos ao sol.
Vitamina é usada contra esclerose DA REPORTAGEM LOCAL
Pacientes com esclerose múltipla têm sido tratados também com vitamina D pelo neurologista Cícero Galli Coimbra, da Unifesp.
Pesquisas mostram que pessoas com esclerose e outras doenças autoimunes têm uma dificuldade genética de sintetizar vitamina D. "Essa produção é o mecanismo que a natureza criou para impedir que o sistema imunológico agrida o próprio organismo", afirma.
Isso quer dizer que esses pacientes têm resistência ao nutriente e precisam de doses elevadas para evitar a agressão do sistema imune. Os melhores resultados são obtidos com doses diárias que variam de 20 mil a 40 mil UIs (unidades internacionais) de vitamina.
O tratamento foi desenvolvido com base em estudos que mostram que as pessoas com as manifestações mais graves da doença são as que apresentam os menores índices de vitamina D no organismo.
"Pode demorar até algumas décadas, mas fatalmente a medicina vai usar a vitamina D como a principal forma de combater doenças autoimunes. O que vai atrasar isso é o preconceito dos médicos com relação à vitamina e a questão é econômica -remédios contra essas doenças são caros e há um grande público consumidor."
A empresária Vera de Melo Folli, 53, ingere 25 mil UI diariamente há quatro anos. "Fiz o tratamento tradicional contra esclerose por dois anos, mas estava piorando e sentia muitos efeitos colaterais. Desde 2005, eu uso somente a vitamina D e nunca mais tive crises. Trabalho 14 horas por dia e tenho uma energia absurda", conta.
Ela monitora os índices de vitamina D por exame de sangue e tem consultas médicas a cada seis meses.
Alimentos com mais vitamina D É indicada a ingestão de 10 a 15 microgramas por dia, além da exposição ao sol
salmão, 100 g = 7 microgramas
sardinha, 100 g = 4,5 microgramas
atum, 100 g = 3,5 microgramas
gema de ovo, 1 unidade = 0,9 micrograma
ostra, 100 g = 8 microgramas
leite integral, 1 copo (250 ml) = 0,5 micrograma
leite de soja fortificado, 1 copo (250 ml) = 2,5 microgramas
FOLHA DE SAO PAULO, COLABOROU CLAUDIA COLLUCCI
IMAGEM O SOL RADIOSO,
CREDITOS